terça-feira, 30 de junho de 2015

Genialidade Musical


Genialidade Musical

A monstruosidade de um Beethoven
recai sobre os meus tímpanos
num delírio dum violino a sussurrar
com a orquestra
numa zanga infernal
num delírio dos séculos
que trespassam meu ser
enfraquecido pela melodia
extravasante de Ludwig
no esquecimento feroz
da ingratidão da vida.

Pedro Valdoy


A Borboleta


A Borboleta

A borboleta esvoaçou
alegremente e em liberdade
por entre os campos
com toda a sua vaidade

Era linda
como o meu amor
transportava fragrância
saltitava de flor em flor
e ela ficou maravilhada

Eu fiquei solitário
por entre as flores
eram mantos de crisântemos
que dançavam com o vento

As abelhas andavam excitadas
com beijos de cetim
e eu solitário
sentia o perfume
de um amor que não vinha

Adormeci com pesadelos
esquecidos pelo vento
na melodia dos tempos
sem a tua presença

Quando acordei
senti teu corpo
com um manto de beleza
e a borboleta sorria.

Pedro Valdoy



segunda-feira, 29 de junho de 2015

Teus Olhos


Teus olhos

Teus olhos são diamantes
Que brilham por onde passas
Com a tua sensualidade própria
Característica sensível

O espelho do amor
Reflecte-se no teu corpo
Com o teu andar
Pela areia da praia

As ondas beijam teus pés
Meio envergonhadas
Nos tempos que passámos
Naquelas férias de sonho

Teus seios sensuais
Deliciam minha alma
Através de uma acalmia
Constante e secreta

A tua ausência
São facadas no meu coração
Que se sente solitário
No vazio de uma casa recheada

Teus beijos prolongados
Entoam cânticos celestiais
No silêncio da noite
Com o sorriso do luar

Na nossa infância
a amizade era grande
e a cantar parecias
um rouxinol amoroso

Agora o amor e a amizade
perdura por tempos indefinidos
no amanhecer da eternidade
para uma felicidade ocasional.


Pedro Valdoy

Lua


Lua

No sabor do luar
deslizam nuvens
na brancura eterna
rasgando vales
`
Através da bruma
oscilam a ternura
e o amor dissecado
por dois seres esquecidos

Na planície vertiginosa
vibra a amizade
no esquecimento
dos tempos vertiginosos

São chamas que se criam
na secura das terras
na berma do rio
veloz   infindável

É a criança que eras
na ingenuidade das flores
na caruma dos caminhos
pela etérea saudade.


Pedro Valdoy

Pétalas


Pétalas

A flor vencida
derrama suas pétalas
no teu regaço
por amores incompreendidos

A nuvem sonha
teus delírios
na incapacidade do ser
de um véu transparente

O portal do amor
ergue-se na vaga
silenciosa de um desejo
na estranheza    no delírio

São bocejos de namorados
através das algas
de um mar sereno
a beijar o teu corpo.

Pedro Valdoy


O Lago Dos Cisnes


O Lago dos Cisnes

Com suavidade
sentia-se o bailado
com os passos leves
uma nova estrela de encantos
com sensibilidade bela
ao sabor da música

A melodia
pairava no ar
como uma avezita com sua graciosidade
como um cisne
deslizava
pelas águas serenas
Seus compassos
deliciavam o público
extasiado
até aos últimos sons
melodiosos

A música a pouco e pouco
abriu o silêncio
durante alguns segundos
A transformação foi total
e rebentou com os aplausos
daquele público
que se levantou emocionado.


Pedro Valdoy

domingo, 28 de junho de 2015

Mais um Pouco de Surrealismo


Mais um Pouco de Surrealismo

A vaca coitada
tresmalhada ou louca
passeia seu canário
numa gaiola engalanada

A desgraçada vê a podridão
que vai por essas ruas
escanzeladas   emporcalhadas
e a triste coitada queixa-se

É do vinho
afirmam alguns
através da sujeira
nos autocarros loucos

Mas louca é ela
e da fama não se livra
de canário em poleiro
pela baixa passeia.

Pedro Ritto